Arquivo mensal: maio 2015

Cheguei!

flormontrealbonjour

Oi gente! Faz tempo que não apareço por aqui né? Mas mudar tudo na vida não é fácil e requer tempo, paciência e muita energia. Agora tô de volta, já estabelecida na nossa casinha e cheia de energia para blogar 🙂

Queria contar um pouco de como tem sido essa mudança de vida e de casa. Eu literalmente virei minha vida de ponta cabeça, de novo. Deixei minha profissão e um trabalho que eu adorava, com um salário de dar inveja em muita gente, vendi todas as coisas da minha casa (inclusive todas as paixões da minha cozinha),vendi meu carro e me mudei (com passagem só de ida) para Montreal no Canadá.

Todas as vezes que eu conto isso ou falo com alguns amigos, a grande maioria acha tudo um máximo e me olha como se eu fosse diferente, superior e super corajosa. O olho brilha tanto e muitos já começam a me perguntar como poderiam fazer o mesmo. Maaaaaas todo esse movimento que eu fiz, mesmo super achando que ia tirar de letra e nada me abalaria, causa muuuuita ansiedade! Até no ser humano mais zen que existe, não tem jeito. São pilares muito importantes da nossa vida que de repente não estão mais ali. E tu te vê tendo que reconstruir tudo do zero, criar uma nova rotina, entender a dinâmica do novo lugar e muito mais. Mesmo a gente querendo muito, dói e dá trabalho.

 

Algumas verdades do início:

  1. Dói. Mais do que tu imagina

Quando a gente pensa em morar fora só o que vem na nossa cabeça é COMO TUDO VAI SER INCRÍVEL. Que a gente vai ter acesso a muita coisa que não tinha antes, que as oportunidades vão pipocar na nossa porta , enfim todas as coisas vibrantes de uma vida nova em outro pais. Mas toda escolha tem ganhos e perdas. Tem um monte de vantagens e coisas legais de morar no Canadá, mas tem tanta coisa legal no Brasil também e acho que isso começa a ficar claro logo no início. Eu me pego comparando o tempo todo. Tendo saudades de coisas tão pequenas e ridículas, como passear com a minha cadelinha na quadra da minha casa e ela encontrar com os mesmos amigos peludos de sempre, dar aquela cheirada e latida e sair faceira e saltitante pro próximo xixi. Até saudades de tomar chimarrão na Redenção e fazer churrasco na casa do meu pai. Acho que com o tempo isso passa. Coisa de iniciante. A saudade vai sempre me acompanhar nessa jornada, mas assim que começarmos a criar vínculos aqui acho que essa comparação passa.

  1. Causa um caos interno absurdo

Uma coisa que eu acho que não estava preparada era pra parar de trabalhar da noite pro dia. Eu sei que já já vou estar trabalhando em alguma coisa que me faça bem feliz, mas o impacto de não ter compromisso, de não ter pra onde ir depois de tomar café da manhã foi devastador dentro de mim. Além de não ganhar meu próprio dinheiro, o que também é bem estranho pra mim. Eu fiquei super confusa e um pouco deprimida durante essas primeiras semanas que cheguei aqui. Eu queria trabalhar (por mais absurdo que pareça). Eu queria um propósito. Um lugar pra ir todas as manhãs. Colegas de trabalho pra conversar na pausa do café e reclamar da vida! NOT! Eu, euzinha e as ruas de Montreal. Tu tem tempo de fazer o que quiser e quando quiser. Lida com isso agora! Reorganiza a tua cabeça, reestrutura a tua vida e vai!

  1. Cansa

Cansa pra caralh*! Qualquer atividade por mais banal que seja como ir no supermercado, requer uma super energia e disposição! Nada que eu faça aqui é automático e “tranqüilo”, porque tudo é desconhecido, tudo…absolutamente tudo é uma aventura e tem que ser explorado. A lingua ainda é uma barreira e a gente ta tentando entrar na dinâmica do lugar. Ficar atendo o tempo inteiro, vulnerável e com muita exposição emocional cansa pra caramba!

  1. Dá muito medo

E por fim, ainda tô na fase do medinho. “Puta, será que tomei a decisão certa?” ou “Que que eu to fazendo aqui?”, são alguns exemplos. Fora que tu olha pro lado, para os teus amigos e pessoas próximas e ta todo mundo na fase de comprar apartamento, ter filhos, investir no futuro e tu não tem nenhum tostão furado e ta longe de comprar qualquer coisa que seja. Fazendo o caminho completamente contrário. Não adianta, acho que esse tipo de questionamento vai me acompanhar sempre.

Então é isso por enquanto!

Quis trazer um poquinho da realidade do “começo”. Acho que assim como esse início é cheio de incertezas, medos e desconfortos, com o tempo ele vai me trazer muitas coisas boas. Sair da zona de conforto já tá causando muitas transformações, muito auto-conhecimento, coragem, criatividade e confiança em mim mesma. E é exatamente isso que eu estava buscando. Por isso, nunca posso esquecer o PORQUÊ que eu vim.

 

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